BARRA NO MEIO

"Loucura é fazer as mesmas coisas todos os dias e esperar que seja diferente!"

Terapia -Porque fazer?

Terapia -Porque fazer?

Psicoterapia: Animação mostra a relação Psicologo e Paciente

A Depressão


por Irineu Deliberalli

Há uma dor emocional de grande significado na experiência humana, que quando é ativada, provoca em seu portador, uma péssima qualidade de vida e normalmente muito sofrimento e ela é chamada DEPRESSÃO.
Quando a Depressão se manifesta, ela paralisa o viver da uma pessoa, levando-a a estados de profunda dor, tristeza, desalento e com quase nenhuma capacidade de reação a este estado de morbidez que o indivíduo se arremete.
 A Depressão, de um modo geral, resulta numa inibição global da pessoa, afeta a parte psíquica, as funções mais nobres da mente humana, como a memória, o raciocínio, a criatividade, a vontade, o amor e o sexo, e também a parte física. Enfim, tudo parece ser difícil, problemático e cansativo para o deprimido.
A pessoa deprimida não tem ânimo para os prazeres e para quase nada na vida, de pouco adiantam os conselhos para que passeiem, para que encontrem pessoas diferentes, para que freqüentem grupos religiosos ou pratiquem qualquer atividade diferenciada que normalmente pode nos dar algum tipo de prazer. Não há este encontro na pessoa depressiva.
Os sentimentos depressivos vêm do interior da pessoa e não de fora dela e é por isso que as coisas do mundo, as quais normalmente são agradáveis para quem não está deprimido, parecem aborrecedoras e sem sentido para o deprimido.
A Depressão é medicamente mais entendida como um mau funcionamento cerebral do que uma má vontade psíquica ou uma cegueira mental para as coisas boas que a vida pode oferecer. A pessoa deprimida sabe e tem consciência das coisas boas de sua vida, sabe que tudo poderia ser bem pior, pode até saber que os motivos para seu estado sentimental não são tão importantes assim, entretanto, apesar de saber isso tudo e de não desejar estar dessa forma, continua muito deprimido. E em quase sua totalidade sem poder de reação.
Há dois tipos considerados de depressão a Exógena, motivada por fatores externos ou ambientais, como perdas de emprego, de relação afetiva, de status social, de amizades, etc, demonstrando uma enorme fragilidade em a pessoa lidar com equilíbrio diante das circunstâncias que a vida nos apresenta e às quais não temos controle sobre seus resultados.
A outra depressão apontada é a Endógena, que vem de dentro quando há vários fatores constitucionais internos, de origem biológica ou hereditária, e a pessoa sente uma tristeza quase incontrolável ao lidar com sua realidade de vida pessoal, afetiva, familiar, social. Nada a preenche, sempre faltando alguma coisa.
Há muitos estudos, nem todos conclusivos, e de maneira geral já sabemos que no nosso cérebro há mensageiros químicos chamados neurotransmissores, os quais transmitem estímulos neuronais de um neurônio para outro, e dependendo da região cerebral podem atuar nas emoções. Os dois mensageiros principais são a serotonina e a norepinefrina, e vários outros hormônios.
As pessoas com Depressão  podem ter alterações na quantidade de alguns desses "neurotransmissores” e quando isto ocorre o estado de morbidez, de abandono da vida, de uma tristeza injustificável, a falta de vontade de viver,de se cuidar, de interagir social e afetivamente, toma conta da pessoa, e por mais que uma pessoa amiga ou parente de alguma maneira tente animar a pessoa depressiva, normalmente os resultados são quase que nulos.
Os dados das pesquisas são diferentes, dependendo a população com que ela é feita, mas nas pesquisas mais recentes, estima-se que entre 5% e até 10% dos homens terão depressão nos próximos 12 meses e nas mulheres este índice é bem maior entre 15% e 20% no mesmo período. Nas pessoas idosas, estima-se que até 25% dos acima de 60 anos venham a ter Depressão.
A medicina e a Psiquiatria através de algumas pessoas bem interessadas em encontrarem um caminho de cura para a depressão, tem feito avanços enormes neste campo. Remédios antidepressivos foram descobertos e conseguem trazer alívio e recuperação da qualidade de vida, pois ele vai atuar na região cerebral equilibrando a produção da Seratonina e a Norepinefrina, adequando também a taxa sanguínea de Lítium, possibilitando assim a recuperação e reintegração do indivíduo a sua rede social de vida.
Sabe-se de antemão, que uma pessoa depressiva, raramente terá uma melhora de seu estado se não tiver ajuda medicamentosa e há um trilogia clássica no tratamento da depressão: Medicamento, normalmente antidepressivo e ansiolítico, exercícios físicos, o de melhor resultado é o caminhar e a psicoterapia.
Infelizmente, por um valor cultural e até mesmo financeiro a Psicoterapia na maioria das vezes é deixada de lado, e é ela, somente ela, que vai dar a estrutura para que o paciente vá deixando a dependência medicamentosa que todo depressivo desenvolve, pois ela pode vir trazer o conhecimento das causas emocionais que levam à depressão.
Há um grande engano por uma parte dos médicos e psiquiatras em quererem encontrar apenas uma causa orgânica, ou mesmo ambiental, ou até hereditária numa pessoa depressiva, esquecendo que todo ser humano é um ser emocional, portanto tem emoções e está no conflito de lidar com o desencontro destas emoções que a depressão se manifesta e toma conta da vida da pessoa.
Hoje quando visitamos um cardiologista, a grande maioria deles, sabe e avisa que um paciente que tem muita pressão no seu dia a dia, faz tudo correndo, estressado sempre, é um grande candidato e ter sua vida diminuída através de um enfarto ou outra doença coronariana. A cardiologia já entende que há um fator emocional por traz de uma doença cardíaca e e4la atua preventivamente orientando os pacientes a terem uma mudança consciente dos seus hábitos para que tenha uma vida mais prolongada.
As pessoas que tem desenvolvido qualquer tipo de câncer são também orientadas pelos oncologistas e assistentes de que há  uma maneira adequada de impedir o retorno da doença, através da mudança do padrão mental, esquecendo principalmente as mágoas e tristezas, perdoando toda e qualquer pessoa que tenha ficado um ressentimento, pois uma grande parte dos oncologistas, além de identificarem valores genéticos, alimentação inadequada e outros, sabem que os fatores emocionais, se não forem alterados, tudo aquilo que os medicamentos conseguem fazer por um tempo, podem voltar de maneira definitiva, se não houver a mudança emocional da maneira de enfrentar a vida.
A medicina caminha em algumas áreas a passos largos em reconhecer que os conteúdos emocionais, são imperativos nos processos de nossas curas de muitas doenças, mas no caso da depressão, que é uma doença em nosso ponto de vista, psico-espiritual, pois ela afeta a psique do indivíduo e podemos afirmar com toda convicção que ela é uma doença de alma e não de cérebro, pois o corpo humano apenas reproduz aquilo que nossa alma traz dos registros anteriores de nossas existências também chamada de memória extra-cerebral.
Numa visão mais abrangente da Psicologia Transpessoal, a depressão são arquivos de momentos anteriores a este atual, ou seja, são arquivos de vidas passadas, vivenciados em suas respectivas épocas e que quando os experenciamos , terminamos a existência com as mesmas queixas que temos agora, e como naqueles momentos, estes arquivos não foram curados, eles voltam até nós no presente, mesmo estando em novos corpos, com outros nomes e até pais, e países diferentes dos anteriores, mas as emoções não equilibradas são as mesmas.
Na dinâmica de uma pessoa depressiva, encontramos neste arquivo tristezas, mágoas não resolvidas, a pessoa azarada, a pessoa que a vida não entende, a pessoa que não se ajusta a nada, que tem uma personalidade forte, normalmente autoritária bastante egoica, algumas moralistas e outras maneira parecidas de ser, mas há uma dinâmica comum entre todas as pessoas depressivas; Um criança Interior cheia de queixas e que entra facilmente no papel de vítima e quando entra neste papel crer que ninguém a entende, e isso é uma grande verdade.]
Ninguém entende a sua queixa da vida, ninguém entende o seu papel de vítima que ela se coloca diante do quadro depressivo, pois pelas leis que regem o universo, não há vítima, pois se houver vítima o universo e seu Criador seria injusto, mas há uma lei de sincronismo como disse Jung, há uma lei de atração como dizem os modernos mentalistas, e tudo o que me ocorre há um lado de minha psiquê que atrai para mim. Há um desejo inconsciente em tudo o que me acontece.
O depressivo tem um enorme arquivo ainda não conhecido e não cuidado e que ele foge de todas as maneiras para não conhecê-lo, pois apesar do sofrimento que a depressão acarreta, há sempre um ganho emocional em toda pessoa depressiva. A criança interior, não quer abrir mão do poder que ela tem sobre a pessoa, no seu papel de sofredora e de vítima e vai usar todas as armas de boicotes possíveis para impedir até o tratamento correto, fazendo ela parar de tomar os remédios, ou de fazer os exercícios físicos, a principalmente o boicote à Psicoterapia.
A dinâmica desta criança Interior é cheia de fantasias e a maior delas é a onipotência, onde o orgulho toda total conta de suas ações. Por isso entendo que o pano de fundo para uma pessoa depressiva é o orgulho. O sintoma que a pessoa apresenta é a depressão e com todo o mecanismo que ela se manifesta, mas o que a movimenta é o orgulho. Dentro do padrão da criança interior do orgulhoso, há uma palavra quase que comum em todo orgulhoso que é...”como a vida não está fazendo do meu jeito?”
Porque a vida não está fazendo do seu jeito, e sua criança interior não aceita do jeito que a vida apresenta, ela então entra no papel da vítima, a vítima que está revoltada com a vida, pois a vida não acontece da maneira que ela acha, e ela então abandona o viver, passa a não se cuidar, relaxa-se com seu visual, com sua alimentação, com seu banho com seu tratamento, com suas responsabilidades sociais, com sua família, com sua parceria afetiva, com sua sexualidade, com sua produtividade, ela nega a vida, porque a vida não age da maneira que ela, criança interior, entende como correta.
Como tratar isso? Primeiramente ajudar a pessoa a reconhecer este arquivo desta criança interior, perceber quais são as idéias e intenções que esta criança tem. Reconhecer a profunda onipotência que está por traz de uma pessoa depressiva, ajudar a pessoa a aceitar e acolher este arquivo, pois ela é uma energia nossa, de nossa mente e tudo aquilo que geramos é criação nossa responsabilidade, certamente nesta fase a pessoal vai começar a sair do papel de vítima e consequentemente do orgulho, assumindo perante a vida um novo papel de humildade, e aceitação, pois todo aquele que não aceita a vida, cria para si e em seu redor graves conflitos.
Há ainda um fator também de muita importância, que precisa ser citado, mas considero como secundário, que é o fator espiritual. Toda pessoa depressiva também está envolvida espiritualmente por alguma energia desequilibrada da mente de um encarnado ou desencarnado, mas este fator que é muito importante, mas reafirmo como secundário, só ocorre porque há um arquivo de desarmonia, há um enorme orgulho a ser curado, hás a falta de humildade, certamente uma grande dose de julgamento tem todo o depressivo, e por estas brechas que entram as energias espirituais.
Afirmo isto, pois li informações de alguns espiritualistas, que a depressão é motivada por uma chamada obsessão. Eu concordo em dizer que numa pessoa depressiva existe também uma obsessão, mas a maior obsessão que existe é da própria pessoa consigo mesma, e ela não querer mudar seu padrão de queixa de vida é exigir fantasiosamente que o universo funcione de sua maneira, e não aceitar a vida como ela é. Toda esta áurea gerada por uma pessoa depressiva, atrai então energias espirituais que estão por aí perambulando na 4ª.dimensão.
Quando o sentimento de aceitação das leis do universo começa a tomar conta da pessoa, quando a humildade passa a fazer parte de sua conduta, os arquivos da criança interior que causam a depressão começam a serem curados e os problemas espirituais, também começam da mesma maneira a desaparecerem da vida da pessoa.
Toda cura é um ato de amor e todo depressivo um dia fugiu do amor do universo e tentou criar um amor do seu ego e pelo seu ego, para que a vida funciona de sua maneira, mas quando ele volta ao amor do universo, que é o único que cura, ele também está curado. A cura exige transformação e a grande cura que o depressivo pode ter, é sair do grande orgulho e aceitar com humildade a vida como ela é. Pois a vida como ela é, é a vida que temos que viver, pois nós só temos que viver, não temos necessidade de criar uma nova espécie de vida e sim aprendermos com esta que temos, encontrar nela, todos os grande fatores que nos levam à felicidade.
Irineu Deliberalli – Psicólogo

Temas no arquivo.

Terapia não é luxo .
Por Soninha Francine
Foram duas conversas parecidas na mesma semana. A primeira, com uma moça no prédio onde moro. Sente dor nas costas há meses, em parte por estar muito acima do peso. Admitiu que come demais por ansiedade. Os médicos receitaram analgésicos e antiinflamatórios, fisioterapia, acupuntura. E terapia. “Ah, na terapia eu não vou! Fazer o que lá?” “Cuidar de você, oras. Com dor de dente, você vai ao dentista. Com sinusite, ao otorrino. A terapia ajuda a cuidar da angústia, ansiedade, insegurança.” Ela decidiu ir à consulta.No outro dia, no gabinete, o estagiário perguntou para uma assessora: “Por que você faz terapia?” Brincando, ela respondeu: “Porque eu sou louca”. Dali a dez minutos, ele perguntou, sério: “Você é louca mesmo?” A moça riu, ele ficou confuso. Contribuí com a discussão: “Ah, eu faço terapia. Eu também sou louca”. Rimos os três.As pessoas entendem “loucura” como algo divertido. Dizem que fulano “é louco” porque é esquentado, coleciona tampas de garrafa, não perde jogo de futebol nem no dia do seu casamento ou porque é muito engraçado. E o que entendem por terapia? Um tratamento para “loucos”. Já que “loucura” pode ser algo trivial, terapia vira sinônimo de luxo ou frescura. Ou é algo que se aplica aos loucos “de verdade” – nesse caso, terapia é para os casos graves, “não para minhas tristezas e aflições”.Eu passei por vários momentos de desespero na vida, mas, só no ano passado, senti que precisava de uma mão para desatar meus nós. Fiquei abismada de ver como alguém pode revelar tanto a meu respeito a partir de informações que eu mesma forneci – isto é, coisas que, em tese, eu já sabia!Não deveria ser tão espantoso. Muita coisa a nosso respeito só nos é revelada quando vemos nossa própria imagem no espelho. E a terapia ajuda a enxergar o que era impossível descortinar sozinha: os motivos mais profundos para a irritação e a tristeza, os padrões estabelecidos, as nossas reações “viciadas”.Nunca tive problemas para falar de minhas fraquezas. Sempre achei importante, por exemplo, falar de depressão. Quando tive a primeira, saber de pessoas que tinham superado uma me ajudou muito.Mesmo assim, fiquei encabulada em assumir que estava fazendo terapia. Minha agenda é acessada por várias pessoas e não tive coragem de escrever o que faria toda quinta de manhã. Anotei apenas “consulta médica”. Que boboca...Agora perdi a vergonha. Terapia não é “luxo” nem eu sou louca “de verdade”. Tenho minhas loucuras como quase todo mundo. Mas não preciso sucumbir aos desgostos da vida mais do que eles merecem. É certo ficar triste com algumas coisas. Não é certo não ser feliz nunca. Para dor de dente, dentista. Para dor da mente, terapia.
Postado por Coluna Diversidade - Nova Gazeta

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