BARRA NO MEIO

"Loucura é fazer as mesmas coisas todos os dias e esperar que seja diferente!"

Terapia -Porque fazer?

Terapia -Porque fazer?

Psicoterapia: Animação mostra a relação Psicologo e Paciente

Depressão




Alguns aspectos dos processos depressivos

Por :Esther Carrenho




Trabalho apresentado no VII Fórum
Brasileiro da ACP, Nova Friburgo, RJ, 2007. Livro da autora: Depressão tem luz no fim do túnel, publicado pela Editora Vida.



A depressão é
desesperadora, mas nem sempre é doença.


Pesquisas indicam que a depressão
é um dos distúrbios psiquiátricos mais freqüentes no Brasil e no mundo. As
pessoas que buscam ajuda em psicoterapia, na maioria, o fazem por estarem
deprimidas ou por acharem que estão deprimidas. Como se não bastassem o
mal-estar e a angústia tão freqüentes nas depressões, em geral o deprimido não
encontra aceitação em seus familiares. Ao contrário, estes se apressam a
encaminhá-lo logo para um médico que vá receitar algum remédio, acreditando que
dessa forma o desconforto de conviver com alguém que enfrenta uma depressão
seja eliminado. No entanto, a mesma medicação que pode ajudar, se não for ministrada
adequadamente, em conjunto com a ajuda psicoterapêutica competente e amorosa,
em que a pessoa pode reavaliar sua própria vida e se sentir apoiada, só fará
com que se empurre com a barriga a conscientização dos motivos que podem causar
os desajustes depressivos. Pior foi verificar que muitas vezes no meio
religioso, principalmente no evangélico, além de não existir o acolhimento tão
necessário à pessoa em depressão, ainda ela vai ser acusada de não crer, de
estar em pecado. Como
se isso não bastasse, não raras vezes o deprimido ainda será exorcizado, como
se o próprio demônio estivesse incorporado nele. Tudo isso coopera ainda mais
para que a pessoa aumente sua condenação, a depreciação de si
mesma e a dificuldade em se acolher num momento tão dolorido.


Li várias vezes, meditei e refleti sobre os altos e
baixos emocionais na vida de vários personagens bíblicos: Davi e sua depressão;
a tristeza profunda na vida de Jó, que amaldiçoa o dia de seu nascimento,
lamentando ter recebido os cuidados específicos que todo recém-nascido precisa;
os momentos depressivos na vida de Moisés, que questiona, discute com Deus e se
nega a continuar com o peso de cuidar do povo insatisfeito no deserto; Elias ,
o profeta, que fica tão deprimido que deixa de comer e deseja morrer, e vi que
Deus não repreendeu as pessoas, não as julgou nem as condenou! Ao contrário,
segundo relato bíblico, foi paciente e cuidou amorosamente para que cada uma
delas pudesse encontrar alívio e forças para retomar o próprio caminho.
Descobri ainda que Cristo, também passou por momentos de profunda tristeza. E
foi paciente e amoroso com cada pessoa que conviveu com ele, nos momentos de
tristeza, choro, desânimo, decepção e desconfiança, ajudando a cada uma a se
recuperar e a retomar a normalidade da vida emocional.

Essas
descobertas trouxeram um impacto tão grande em minha vida que tive vontade de
sair gritando num alto-falante de tamanho gigantesco, a alcançar o mundo, que a
depressão é desesperadora, mas na maioria das vezes não é doença. E está dentro
de uma reação normal do ser humano diante de dificuldades e momentos difíceis
na vida! E que há também tesouros infindáveis nos processos
depressivos; que a pessoa que passa por uma depressão precisa, acima de tudo,
de compreensão empática e de acolhimento amoroso!











O que é depressão


Depressão é uma tristeza que
parece não ter mais fim. Essa é uma frase que define


Depressão é uma tristeza que parece não ter mais
fim. Essa é uma frase que define de modo bem simples a depressão. O problema já
passou ou ocorreu há muito tempo e a tristeza continua presente, forte, como se
fosse uma tatuagem impregnada na alma.


Em psiquiatria e psicologia, o conceito de
depressão se apresenta em geral bastante vago e amplo. Dr. Uriel Heckert,
professor de psiquiatria, diz que depressão “é um estado de sofrimento psíquico
caracterizado fundamentalmente por rebaixamento do humor (isto é, do estado
afetivo básico apresentado pela pessoa), acompanhado por diminuição
significativa do interesse, prazer e energia”.


A depressão é algo que todos experimentam até certo
ponto e em períodos diferentes da vida, não importando idade, sexo, raça,
religião, educação, personalidade ou nível social. Pode-se apenas passar por
acontecimentos que por si só já são depressivos, como perdas pela morte de
alguém querido, rompimentos de relações afetivas, falências financeiras, perda
da saúde ou ainda frustrações diante de algo que se esperava muito. Para
muitos, a depressão pode chegar sem um motivo claro e sem que a pessoa esteja
experimentando alguma perda aparente. E para outros ainda ela pode ser
desencadeada por alguma perda, mas ultrapassa o limite do tempo considerado
normal, na elaboração do luto da referida perda. Essa abrangência da depressão
faz com que os autores pesquisados classifiquem-na de acordo com intensidade,
gravidade, incidência, durabilidade e causas aparentes.


Sílvia Ivancko, psicóloga, esclarece também que a
depressão causa transtornos ao sistema químico do corpo:


Quimicamente, a
depressão é causada por um defeito nos neurotransmissores responsáveis pela
produção de hormônios, como a serotonina e a endorfina, que nos dão a sensação
de conforto, prazer e bem-estar. Quando há algum problema nesses
neurotransmissores, a pessoa começa a apresentar sintomas como desânimo,
tristeza, autoflagelo, perda do interesse sexual, falta de energia para
atividades simples.






Mauro Maldonado, psiquiatra e professor da
Universidade de Nápoles, Itália, cita estudos e pesquisas da Organização
Mundial da Saúde (OMS) que
indicam a depressão como a doença mais diagnosticada atualmente pela
psiquiatria. Ele diz ainda que, considerando-se todos os problemas de saúde
surgidos no Ocidente, a depressão fica em quarto lugar.


Um dos jornais de São Paulo citou a pesquisa feita em
2005 com mil trabalhadores das cidades de São Paulo e Porto Alegre, pela
International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), indicando que, de cada dez trabalhadores, um está com depressão, sendo o
trabalho apontado como fonte principal do estresse causador da depressão.






Segundo reportagem de Raquel Bocato, o médico
Marcelo Nial, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), diz
que pode haver algum exagero nessas estatísticas: “Hoje, as pessoas não dizem
mais que estão tristes, mas que estão deprimidas. Não dizem mais que têm medo,
mas que estão com fobia. Não dizem que estão cansadas, mas estressadas”.E
Virginia Moreira, doutora em psicologia clínica, arremata, concordando com
Marcelo Nial: “O que se observa nas sociedades contemporâneas, no entanto, é que
a palavra tristeza está praticamente em extinção”. Mesmo considerando que há diagnósticos de depressão onde na verdade não existe
depressão, Marcelo Nial concorda que um alto percentual de pessoas sofrerão de
algum tipo de depressão na vida.


Um artigo do jornal da Associação Médica Americana
sugeriu certa vez que o homem tem sofrido mais com o resultado da depressão do
que de qualquer outra doença que tivesse afetado a humanidade. A depressão tem
sido decididamente considerada como sintoma psiquiátrico mais comum, encontrado
tanto em caráter temporário, numa pessoa normal, que passou por uma grande
decepção, quanto na depressão profunda, em que as idéias suicidas estão
presentes.


A depressão, ou melancolia, como era antes chamada,
tem sido reconhecida como um problema há mais de dois mil anos. Recentemente,
porém, ela vem atraindo tanto a atenção pública que alguns estão chamando nossa
época de a “era da melancolia”, em contraste com a “era da ansiedade” que se
seguiu à Segunda Guerra Mundial. Outros estudiosos do assunto, como Sílvia
Ivancko, da qual já falamos, declaram que a depressão já é um problema de saúde
pública e é o mal do século 21.


Martin Seligman, psicólogo, expressou-se da
seguinte forma:


A predominância da
depressão no mundo de hoje é estarrecedora... Ela é o resfriado comum da
psicopatologia e vem tocando a vida de todos nós. Todavia, trata-se,
provavelmente, da menos compreendida e da mais inadequadamente investigada
dentre todas as principais formas da psicopatologia.






Nos dias atuais, a depressão tornou-se um tema
comum, mas ainda é tida como uma disciplina científica difícil, pois suas
hipóteses não estão em condições de serem verificadas ou refutadas com o mesmo
grau de exatidão como acontece em outras áreas da ciência. Lewis Wolpert,
radialista inglês e professor de biologia, diz muito bem que experimentou uma
depressão considerada severa, mesmo sendo bem-sucedido no casamento e na
carreira:


Mesmo atualmente com
a variedade de sintomas que os pacientes podem relatar dificulta o diagnóstico
da depressão. Infelizmente não há um único exame confiável que estabeleça o
diagnóstico, como, por exemplo, um exame para comprovar infecção por bactérias,
nem mesmo há sintomas coerentes e de fácil identificação, como no caso do
sarampo e da caxumba. Há pouco tempo houve uma esperança de que um exame que
medisse uma reação hormonal a um estímulo forneceria uma ferramenta para
diagnóstico, mas infelizmente descobriu-se que não era o caso. É difícil saber
quando uma flutuação normal do humor passa a ser uma depressão.Além do mais, mesmo quando os exames apontam para
um desequilíbrio químico, como a deficiência de serotonina no organismo, não
significa que a simples reposição da substância resolva o problema. É certo que
o humor deprimido tem uma relação com o desequilíbrio químico do corpo, mas nem
sempre é possível detectar o que aconteceu primeiro: se o desequilíbrio químico
provocou a depressão ou se a depressão desencadeou o desequilíbrio químico.


Como se não bastassem todas essas dificuldades, a
depressão, que em geral é entendida como algo que leva a pessoa a se tornar
passiva, pode ainda aparecer misturada ou camuflada com conteúdos repletos de
sentimentos, como a culpa, o medo e a hostilidade, que precisam ser
considerados um a um com muito cuidado, pois em si esses sentimentos já são
doloridos e trazem muito desgaste emocional e físico para a pessoa. Quando
estão associados a um processo depressivo, eles se tornam verdadeiros monstros
que podem exercer tamanho domínio sobre a pessoa a ponto de deixá-la inerte e
sem esperança alguma.



Depressão e raiva


A depressão pode ser ainda apenas uma capa para
encobrir a hostilidade negada. Situações de raiva e rancor que não foram
elaboradas, sejam por quaisquer razões, podem trazer à tona sintomas depressivos
disfarçando os conteúdos hostis sufocados na vida de uma pessoa. “A raiva
reprimida não desaparece”, já afirmei em outro livro.Um
leigo e até profissionais experientes terão dificuldades de perceber a raiva e
o ódio em outras pessoas, e também em si mesmos, que a depressão encobre. A
prostração e a inércia, sintomas comuns aos deprimidos, favorecem a descrença
de que aquela pessoa possa ter um arsenal de ressentimentos e mágoas guardados
em si, inconscientemente. “A raiva nos pacientes depressivos leva para a mais
profunda depressão, embora a pessoa não o admita prontamente diante de outros”,
diz Frank Lake.



E, para piorar, a pessoa em depressão se menospreza
e se deprecia, usando a raiva acumulada contra outros, num ataque contra si
mesma. Decio Gurfinkel, doutor em psicologia pela Universidade de São Paulo,
declara:





serve para esconder sentimentos hostis, que na maior parte do tempo permanecem
inconscientes. Os sinais aparentes da depressão incluem desânimo, falta de
energia, cansaço, desinteresse pelas pessoas e atividades em geral. Nesse estado
de ânimo, o sujeito tende a ficar passivo e inativo, e, nos casos mais graves,
prostrado. Pouco se percebe, no entanto, que subjacente a essas manifestações
se encontra um profundo sentimento de ódio. É claro que, em diversos casos,
observamos uma alternância entre estados depressivos e súbitas crises de mau
humor, com explosões de raiva. Mas a relação entre depressão e ódio nem sempre
é evidente. E o principal motivo disso é que o estado depressivo serve
justamente para esconder o ódio, que permanece inconsciente a maior parte do
tempo.
Depressão e medo

Mauro
é um homem de meia-idade, calmo, bondoso e com capacidade para trabalhar bem em
situações de tensão. Aos poucos, foi ficando temeroso e passou a vasculhar
minuciosamente todas as contas sob sua responsabilidade na empresa em que
trabalhava. Temia que um erro sob sua responsabilidade pudesse criar uma
situação desastrosa. Ele é um homem honesto, mas tinha medo de ser acusado de
algo que não tivesse feito, que pudesse custar-lhe a perda do emprego. Tinha pavor de imaginar que não daria conta de cuidar da mulher e dos filhos no que fosse necessário, mesmo que seus filhos já estivessem casados.




Sua depressão foi desencadeada quando ficou na
malha fina do
imposto de renda. Mauro não dormia, se alimentava muito mal, tinha tremores,
taquicardia, desânimo, angústia e uma profunda tristeza. Perdeu o interesse
pela vida. Não tinha energia física e se cansava com facilidade. O pavor tomou
conta de tal forma que ele ficou letárgico e meio imobilizado. Temia o futuro,
o fracasso e a possibilidade de que as pessoas que dependiam dele viessem a
passar necessidades primárias. Seu médico, um clínico, sugeriu-lhe que buscasse
ajuda psicológica.


No primeiro encontro, Mauro me contou do mal que
sentia no corpo e na alma e falou de seus medos. Perguntei se havia outras
situações na vida em que ele já tivesse se percebido com tanto medo. Ele fez
que sim. “Quando era criança, eu ri de um menino. Um guarda, que era segurança
na rua, viu e me disse que eu seria preso e sofreria muito. Fiquei apavorado.
Fiquei dias e dias achando que a qualquer momento algum policial bateria na
porta da minha casa e me levaria preso. Anos mais tarde, descobri que o homem
que me ameaçou era apenas um guarda noturno, nem era policial. Na minha cabeça,
tudo acalmou, mas acho que nas minhas emoções eu ainda temo qualquer pessoa em
posição de autoridade. Nesses últimos tempos, tenho medo desde o gerente até o
caixa de um banco. Tenho a sensação que a qualquer momento vão pegar algum erro
meu e vou ser punido. Tenho medo de me apresentar aos fiscais do imposto de
renda. É como se a punição que vou receber tenha uma dimensão tal que não vou
dar conta.” Perguntei: “O que você acha que pode acontecer se realmente algum
erro seu for detectado pela fiscalização do imposto de renda?”. “Nada”, ele
respondeu e continuou falando. “Apenas terei de pagar a diferença com juros e
correção monetária. Mas me fica a sensação de que serei preso.” “Então, parece
que essa sensação está guardada aí por muitos anos, não é? Porque foi lá, na
sua infância, que você experimentou essa sensação.” Ele concordou. “E parece
que, naquela época, você não pôde falar com ninguém sobre seu medo. Teve de
encará-lo sozinho.” Ele balançou a cabeça, indicando que concordava.


A depressão de Mauro surgiu em meio a uma crise
comum, quando uma pessoa chega à casa dos cinqüenta anos e começa a avaliar o
que já foi vivido, a se preocupar com o envelhecer e com o futuro. Mas estava
claro que as sensações de medo não resolvidas, não integradas a suas próprias
experiências, tinham saído do esconderijo e se manifestavam, acentuando mais
ainda as inseguranças do presente e a depressão.


Não é meu objetivo aqui fazer um estudo aprofundado
sobre o medo. Mas é necessário conhecermos um pouco do que ele é e do que pode
causar numa pessoa, sobretudo se ela estiver num quadro reconhecido como
depressivo.


Sentir medo faz parte do ser humano. Todos nós
temos certa dose de medo que nos protege e nos preserva. É o medo de ser
atropelado, em lugares onde os carros têm prioridade, que faz com que prestemos
muita atenção antes de atravessarmos uma rua de trânsito. É o medo das
incertezas do futuro que faz com que economizemos e poupemos algum dinheiro
para uma possível necessidade nos anos em que o desempenho físico estará
diminuído. Em geral, é o medo de ter de cursar uma mesma série duas vezes que
leva um adolescente a estudar mais. E assim, poderíamos citar inúmeros exemplos
de como um pouco de medo é necessário, saudável e nos faz bem.


Termo usado pela Receita
Federal como referência aos critérios que identificam contribuintes cujos dados
declarados não condizem com os dados já arquivados.O medo se torna prejudicial quando, diante de uma
situação de ameaça, fica maior do que o perigo que na realidade existe,
atormentando e paralisando a pessoa. O medo distorce a realidade e dá a ela uma
dimensão irreal dos fatos


Nestas situações o acompanhamento psicológico é
importante, para que a pessoa possa identificar as raízes do seu medo
exacerbado e desconstruir valores, crenças distorcidas e memórias que em muitos
casos foram sedimentados na vida, para então reconstruir algo novo sem o clima
ameaçador de antes.


Mauro tomou a decisão de não usar medicamentos,
alegando que no seu caso os efeitos colaterais eram bem piores do que todo o
sofrimento da depressão. Aos poucos, ele foi compreendendo que era um adulto,
que poderia enfrentar as situações de ameaças e descobrir, então, se daria
conta do que fosse preciso. No episódio do imposto de renda, reconheceu que, se
estivesse em dívida mesmo, poderia parcelar e liquidar a dívida. Sua família
foi compreensiva e amorosa, ficando pacientemente ao lado dele, sem censuras ou
cobranças. Hoje, Mauro afirma que seu sofrimento era como viver em noites de
trevas medonhas. “Foi horrível. Mas acabou. Ainda tenho alguns medos, mas
aprendi a lidar melhor com os sentimentos, a avaliar a intensidade das minhas
sensações e compará-las com a realidade daquilo que entendo como ameaça.”


Não é a ausência ou a negação do sentimento de medo
que faz com que alguém seja reconhecido como corajoso. Mas corajosos são
exatamente aqueles que sentem medo, que, apesar disso, avaliam a realidade das
situações temidas e as enfrentam, mesmo correndo riscos, quando percebem que
podem superá-las.
Causas da depressão


Tanto no campo da saúde mental quanto da saúde
emocional, há o reconhecimento de que existem múltiplas causas para a
depressão, dentre elas a predisposição genética e as alterações de funções
cerebrais, principalmente no nível de neuroquímica. Algumas enfermidades;uso de
substãncias químicas e estresse.Por outro lado, a predisposição psíquica
individual também pode favorecer o desenvolvimento do estado depressivo:
padrões de pensamentos negativos, culpas, desejos e necessidades intensamente
reprimidos, raiva contida, excesso de introversão, dependência e outros.



Outra causa de depressão é a desigualdade social,
que gera uma cisão, deixando de um lado os fortes, poderosos e dominadores, que
detêm em suas mãos o dinheiro, o conhecimento e todas as possibilidades humanas
de cultura, desenvolvimento, regalias e posses; do outro lado, ficam os fracos,
coitados, cansados, que dormem sentados, ou até mesmo em pé, dentro dos meios
de transportes como ônibus, metrôs e trens, porque gastam duas ou três horas
por dia dentro de uma condução para ir e voltar ao emprego que lhe rende um
mísero salário.


A essa realidade das grandes capitais brasileiras,
podemos juntar os indivíduos das cidades menores, que nem sempre precisam de
ônibus, mas também recebem uma insignificância de salário, que mal dá para o
feijão e arroz. É o grupo de pessoas que vêem com os olhos e lambem com a
testa, que obedecem e se submetem, que não podem sonhar, planejar, muito menos
poupar. Toda a energia é gasta na luta de fazer com que o que ganham dê para a
comida e algum cuidado com o corpo.


Nesse grupo de pessoas, a depressão, inclusive as
graves, pode aparecer de uma forma que se pareça com uma doença física e muitas
vezes ela vem com sintomas de adoecimento do corpo mesmo. É uma dor de cabeça
que não passa, dores nas costas, uma anemia que se torna crônica, fraqueza
física, diarréias e mais uma infinidade de sintomas. Quem vive com intensas
privações do suprimento das necessidades básicas dificilmente se dá o direito
de ficar tão triste. A tristeza acaba sendo coberta por outros sintomas, mas é
o jeito que aquele corpo encontrou para agüentar o desalento de tantas
frustrações.


Se tivéssemos, porém, de resumir apenas em duas
associações todas as causas da depressão, associaríamos ao luto e à culpa. Em
psicologia, chamamos de luto o processo de reação às perdas, sejam quais forem;
é o lamento por algo que não queríamos ter feito, é o entristecer por algo que
não se tem mais, mesmo se desejando do fundo do coração. E tanto a culpa como o
luto estão fortemente relacionados com as perdas e são reações que têm funções
fundamentais e úteis na maturação humana.






Luto


Psicologicamente falando, a abrangência do luto não
diz respeito apenas a perdas de pessoas queridas, pela morte. Inclui qualquer
tipo de perda, que pode ser por morte, mudança geográfica, rupturas de amizade,
namoro, parceria em negócios, do trabalho ou separação conjugal e divórcio. O
luto por alguma perda, seja breve ou longo, precisa ir até o fim, para que a
pessoa enlutada possa reestruturar sua nova realidade e continuar vivendo
depois da perda sofrida.


No caso de morte de uma pessoa querida, o processo
do luto é extremamente dolorido e por essa razão muitas vezes ele nem é
iniciado. Outras vezes é interrompido pela metade e a dor de perder fica meio
amortecida, mas ainda respira dentro do ser, impedindo que a pessoa enxergue
aqueles que continuam vivos. A dor experimentada é profunda, cortante e
desesperadora, tanto para os casos de morte como de separação de uma pessoa
querida ou de alguém que tinha uma ligação muito forte com a pessoa que
continua viva. Em geral, a pessoa
enlutada entra num processo de muita tristeza. E nessas situações sentir e dar
lugar ao entristecer fará parte da reorganização para viver sem a pessoa que se
foi. É também uma tristeza que, quando experimentada em toda sua intensidade,
aumentará a sensibilidade e trará enriquecimento para os outros
relacionamentos. Rubem Alves vê muita beleza no entristecer. No capítulo sobre
a tristeza, em Tempus fugit, ele faz
uma descrição poética e confortante sobre a tristeza diante da ausência:


“A tristeza é sempre
bela, pois ela nada mais é que o sentimento que se tem ante uma beleza que se
perdeu”






Depois continua, descrevendo a tristeza como um
espaço onde um dia houve um encontro, e vai mais longe, quando considera a
tristeza pela falta de algo ou alguém como uma amiga.

A
vida é cheia de pequenas despedidas, e precisamos aprender a lidar com a dor da
despedida, a nos despedir das perdas e partidas do cotidiano. Há pessoas que
nunca se despedem. Saem de férias, mas continuam no trabalho; voltam ao trabalho,
mas continuam de férias. Anoitece, mas elas continuam no dia; amanhece e elas
continuam na noite. E assim vivem sempre divididas, não estão presentes com
todo o ser no momento; estão sempre cindidas entre o que está disponível e o
que já se foi. Penso que o crepúsculo é uma oportunidade e um tempo para nos
despedirmos do dia e abraçarmos a noite. Assim como o amanhecer
é um tempo para darmos adeus à noite e abraçarmos o dia. Só é possível
desfrutarmos da vida com intensidade se soubermos dar adeus ao que já se foi,
mesmo com dor e saudade, para ficar inteiramente presente no que está
disponível.


Um dos canais para o escoamento da tristeza é o
chorar quando tiver vontade. O choro dissolve os blocos de tristeza que se
formam em nossa alma diante das perdas. Infelizmente não sabemos lidar com o
choro e sempre queremos estancar as próprias lágrimas ou as lágrimas de alguém
que chora a nosso lado. É certo que quem consegue chorar suas dores e tristezas
não será vítima das depressões chamadas crônicas ou de lutos considerados
doentios por causa do tempo de extensão, que se prolonga por demais, impedindo
a pessoa de ocupar-se com a vida e com os que estão vivos.


Aprender a suportar a ausência faz parte da vida.
Não se pode deixar para aprender a lidar com uma possível perda apenas quando
alguém querido morre. Desde pequenas, as crianças devem participar das
cerimônias funerais de despedidas de quem morre.A
vida está repleta de mortes e nascimentos. É preciso saber se despedir do que
morre, assim como é necessário saber abraçar e dar boas-vindas ao que nasce.


As perdas materiais incluem incêndios, falências,
desfalques, assaltos, catástrofes da natureza etc. E incluem ainda o que vou
chamar de perda emocional, aquela em que há a sensação de vazio por conceitos,
crenças, valores, reputação ou auto-imagem que perdeu o sentido.


Formamos imagens idealizadas tanto de nós mesmos
como das pessoas com as quais convivemos. No processo de crescer, somos
chamados a reavaliar as idealizações, que nada mais são do que mentiras
instaladas como verdades. E, à medida que se enxerga a realidade diferente
daquela em que até o momento era vista, é possível se abalar de tal forma a
experimentar um tipo de luto, ou seja, o vazio da perda daquilo que até então
se acreditava existir. Na verdade, perdemos a identidade que até então era real
para nós.


Em geral, as pessoas que se submetem à
psicoterapia, ou que venham a experimentar qualquer crescimento provocando
mudanças em sua vida, terão de lidar com a perda da imagem construída, o que
até então funcionava como defesa e proteção. Quando perde essa fachada, a
pessoa ainda não está adaptada ao novo que se apresenta como a verdade sobre si
mesma. O conhecido e o velho não fazem mais sentido, mas o novo ainda não está
sedimentado e assimilado. Muitas vezes, o novo nem se apresentou e, portanto, é
totalmente desconhecido. A sensação do nada, de vazio e solidão é dolorida e
desanimadora. É como se a pessoa tivesse perdido a si mesma.


Quem não busca mudanças para não sofrer por alguma
possível perda de imagem acaba por sofrer muito mais, vivendo sob seus enganos
e engolidos pela própria rigidez. Oswaldo Montenegro sabia disso quando fez a
letra da música que canta:






"Hoje eu sei que mudar dói


Mas não mudar dói muito."



Culpa


É o ser capaz de sentir culpa que favorecerá a
auto-avaliação e contribuirá para o desenvolvimento do processo decisório da
vida. Este é um assunto extenso, que não abordarei em toda a sua amplitude
aqui, mas, em geral, sentir culpa leva a pessoa a avaliar-se para descobrir de
que tipo de culpa está sendo acometida, se há algo a reparar e, assim, decidir
como viver diante do fato relacionado com a culpa sentida. Dessa forma, as
crises depressivas podem estar carregadas de culpas tanto falsas, mas não menos
doloridas, como legítimas, que nunca foram tratadas. Reveladas as culpas,
podemos lidar com elas e encará-las de uma forma saudável e libertadora.


A culpa é o sentimento que mais pode destruir uma
pessoa e seus relacionamentos humanos. O caminho da culpa é o caminho da autopunição,
em que a pessoa vai destruindo sua vida aos poucos e renunciando a qualquer
direito que tenha por achar que não o mereça.


A culpa pode ser um sentimento benéfico. Quando
transgredimos um princípio pessoal, religioso ou social, a culpa funciona em
primeiro lugar, como um tipo de árbitro que nos leva a pensar e a refletir
sobre o ato praticado e conseqüentemente reavaliar se queremos ou não continuar
com aquela conduta. Sentir culpa faz parte da condição do ser humano. Os
animais não sentem culpa. Mas quem quer tornar-se um ser humano em sua
totalidade terá de aprender a identificar e a lidar com a culpa. Judith Viorst,
psicóloga americana, reforça a importância da culpa quando afirma que “o mundo
seria monstruoso sem esse sentimento”. Não estamos livres para o vale-tudo. Tem de haver um limite entre uma pessoa e
outra. E a culpa é uma auxiliar no estabelecimento desse limite.


O sentimento da culpa deixa de ser benéfico quando
está ligado a uma realidade, um fato ou acontecimento do qual a pessoa não
participou nem teve qualquer responsabilidade, mas, mesmo assim, ela acha que
deveria ter feito ou deveria ainda fazer alguma coisa.


A culpa mais devastadora é aquela que está
relacionada a algo que não se tem mais como reparar. A culpa pela prática de um
aborto, por exemplo. Ou ainda pelo reconhecimento de ter tido uma conduta
inadequada como pai ou como mãe. O tempo não volta. Passado é passado! Esse é
um tipo de culpa que pode levar ao desespero, que só vai encontrar algum alívio
na autopunição ou na busca de determinado sofrimento que traga danos para si
mesmo, muitas vezes encontrado nos relacionamentos nocivos. O sujeito pode
passar toda sua vida buscando se castigar na convivência e nos relacionamentos,
com pessoas insensíveis e críticas, que exploram e tiram proveito usando a
violência, ou ainda com aquelas que não se doam, não trocam e não cedem nada de
si mesmas para o outro. Dessa forma, os culpados encontram o castigo que possa
trazer-lhes um pouco de paz.


A fé cristã apresenta algo libertador como crença
fundamental. Um dos aspectos mais terapêuticos do sacrifício vicário de Cristo
é que, na sua condenação à morte na cruz, o castigo que nos trouxe paz estava
sobre ele, por suas feridas fomos curados.Isso é o que há de mais libertador no cristianismo. O preço que preciso pagar
para aliviar alguma culpa que tenho, seja ela boa ou má, exagerada ou adequada,
consciente ou inconsciente, verdadeira ou falsa, dentro da fé cristã, já foi
pago.




O valor da depressão





Posso imaginar que muitos leitores, ao ler esse
subtítulo, estejam duvidando de que existe algum proveito na depressão ou em
qualquer sintoma relacionado a ela. Mas a depressão não é de todo má e há
depressões que são mesmo altamente positivas, que aparecem não só para
preservar a pessoa, mas também para reestruturar todo o sistema familiar em que
essa pessoa está inserida.


Deprimir é um sinal de que há alguma coisa que
precisa ser mudada. E só se deprime quem ainda tem vida e está fortalecido para
agüentar todo o horror da depressão.


Aqueles que aproveitam os períodos depressivos para
se darem conta das dinâmicas usadas na vida perceberão que a depressão pode
funcionar como se fosse uma sirene tocando para avisar que determinado local
corre risco de incêndio.


Além disso, os períodos depressivos levam para um
contato introspectivo maior. E alguns só na depressão é que param e pela
primeira vez conseguem olhar para si mesmos. O mais interessante é que nessa
viagem às profundezas do próprio interior é possível descobrir e resgatar
qualidades ricas que certamente ajudarão muitas pessoas.


Diante disso, podemos encarar a depressão como uma
oportunidade de aperfeiçoamento no nosso viver. Mesmo porque, quando uma pessoa
se percebe deprimida, é um sinal de que ela está conseguindo entrar em contato
com dores e tristezas escondidas em si mesma. Ela está tendo a oportunidade de
integrar esses conteúdos doloridos em sua própria estrutura, para, assim,
tornar-se mais inteira. Ser capaz de se deprimir é uma aquisição do crescimento
pessoal. Muitos fogem da depressão por causa do sofrimento intenso que ela
traz, mas recorrem a outros meios ou a comportamentos que mascaram a aflição
interna.


No deprimido, todas as dimensões da vida poderão
estar afetadas. Além de ter o desempenho afetado em conseqüência de seu estado
de humor rebaixado e diminuição de interesse, os conteúdos dos pensamentos
assumem um tom pessimista. A tendência da pessoa é isolar-se em seu sofrimento,
evitando contato com outros. A vida torna-se desinteressante para o deprimido
e, nos casos mais graves, a idéia da morte está presente. Em geral, a pessoa
fica incapacitada para reagir sem uma ajuda de terceiros, que saibam acolher
aquele que sofre, que tenham uma atitude amorosa para estarem próximos até que
a crise termine.




O perigo do diagnóstico


Para a medicina, as dificuldades de elaborar um
diagnóstico preciso sobre a depressão pode ser um problema. As doenças de ordem
fisiológicas requerem um diagnóstico com maior exatidão possível, para que a
indicação cirúrgica ou medicamentosa seja também a mais acertada possível.
Porém, quando se trata de sintomas relacionados à depressão, vejo nessa
dificuldade a vantagem de os profissionais prestarem muito mais atenção à
pessoa, na busca de encontrar um diagnóstico mais acertado, para avaliar a
necessidade de medicamentos, os mais indicados, por quanto tempo e ainda
perceber se há necessidade de acompanhamento psicológico.

Carl
Rogers, pai da psicologia humanista, iniciou sua profissão como psicólogo,
segundo suas próprias palavras, “num trabalho de diagnóstico e de
planejamento”, numa instituição que recebia crianças sem recursos financeiros e que eram
consideradas delinqüentes. Depois de trabalhar doze anos dessa forma, Rogers
concluiu que os, diagnósticos levantados tinham uma eficácia

superficial e não ajudavam os pais no trabalho de restauração dos filhos. Ao

contrário, às vezes até prejudicava, aumentando ainda mais a culpabilidade dos

pais, deixando-os mais perdidos do que antes. Rogers se posicionou radicalmente contra o diagnóstico de

comportamentos. E, na opinião dele, se for para existir esse tipo de

diagnóstico, ele deve partir da pessoa na medida em que ela vai se percebendo e

aumentando seu autoconhecimento, eliminando-se assim a crença de que o

profissional em psicologia é um todo-poderoso especialista, de quem o outro

fica dependente para uma avaliação e interpretação, enfraquecendo sua

autoconfiança, percepção de si mesmo e sua autonomia.


A primeira coisa que precisamos fazer, como
profissionais em psicologia, antes de aceitar qualquer diagnóstico apresentado
pela pessoa ou por quem a indicou, é ouvir tudo que ela tem a dizer a respeito
de si mesma, com interesse genuíno, empatia e muita atenção.


Tom Cruise é um bom exemplo de alguém que, com a
ajuda da mãe, não se deixou levar pelo peso do diagnóstico. Numa entrevista,
respondendo à pergunta sobre se sua dislexia foi diagnosticada na infância, ele
disse:


Sim, mas não
acreditei. Ao ficar mais velho, tentei leitura dinâmica. E só encontrava
obstáculos. Isso nunca fez sentido para mim. Eu vivia frustrado. Tinha
dificuldades para ler, sem dúvida. Eu era, pela definição deles, disléxico e,
ainda segundo eles, provavelmente sofria de distúrbio do déficit de atenção. Eu
perguntava: “Por que tenho esse problema? Como posso resolver isso?”.


Questionado sobre a medicação para esse “problema”,
respondeu que sua mãe, Mary Lee, nunca permitiu que ele fosse medicado. E nem
por isso Tom Cruise deixou de ser bem-sucedido em sua carreira de ator. Quando
de fato uma criança apresenta uma dificuldade em ler e escrever, ela pode ser
ajudada, se diagnosticada corretamente.


Diagnóstico é uma palavra que vem do grego e que
literalmente significa “conhecer através de”. Henry Nouwen cita o dr. Karl Menninger, psiquiatra americano reconhecido pelo amor e
interesse genuíno que tinha por seus pacientes, quando este, numa aula,
esclareceu que o mais importante para um tratamento eficaz seria começar pelo
diagnóstico. E Nouwen continua falando sobre o que seria um diagnóstico com
base na definição etimológica da palavra:


Vemos que o primeiro
e mais importante aspecto de toda a cura é um esforço interessado para conhecer
integralmente os pacientes, com suas alegrias e dores, prazeres e tristezas;
altos e baixos que formaram a vida deles e, através dos anos, os levaram à situação
presente. Isso não é fácil, pois não só as nossas, mas as dores de outras
pessoas são difíceis de encarar. Da mesma forma que gostamos de chegar a nosso
destino através de atalhos, também gostamos de oferecer conselhos e tratamento
aos outros sem saber exatamente que feridas precisam ser curadas.



Infelizmente, percebo que na atualidade, sobretudo
nos casos em que os sintomas podem caracterizar algum tipo de depressão, os
diagnósticos são feitos apenas para que se justifique o uso de medicamentos.
Veja o que diz Virginia Moreira:

Mas
são muitos, e cada vez mais freqüentes, os casos em que o diagnóstico é
“adoecedor”, ou seja, se medica o sofrimento psíquico como sistema individual,
quando muitas vezes ele é um sintoma social, vinculado a situações de vida de
ordem social e política, tais como situações de violência, corrupção,
competição ou exploração social. Isso sem falar
que muitas vezes se
prescreve um tratamento para a tristeza, um sentimento genuinamente humano, que
não é patológico. A tristeza precisa ser vivida, elaborada, e não anestesiada
através de drogas.


O diagnóstico virou, em muitas situações, muito mais um rótulo do que um
meio através do qual há o empenho em ouvir o outro atentamente para conhecê-lo
melhor. Marcos Alberto da Silva Pinto, psicólogo com muita experiência clínica,
afirma num artigo publicado em seu site: “O diagnóstico tem nos servido
muito mais para estigmatizar e menos para ajudar. Por meio do diagnóstico, o
outro já não interessa, os seus sentimentos, medos, necessidades. A pessoa que
está por detrás do diagnóstico vira mero coadjuvante”.Tom Cruise poderia ter sido um exemplo da afirmativa de Marcos Alberto, caso
sua mãe não tivesse mantido firme a decisão.


O diagnóstico pode tornar-se também perigoso para a
família de alguém que apresenta uma enfermidade ou dificuldade emocional.
Oswaldo Dante Milton di Loreto, médico psiquiatra, relata com um jeito
carregado de humor esse perigo:


Famílias nas quais
uma convulsão, ou apenas uma disritmia, ou um erro genético, faz disparar todos
os ódios encobertos, todas as acusações e ressentimentos. A criança perde a
identidade humana e passa a ser a “convulsão”, a “disritmia”, o “sopro”. Não
podem chupar nenhum sorvete porque “cuidado com a convulsão”, ou podem chupar
todos os sorvetes porque “coitado do convulsão”. E, assim, ficam tristes. Ou
agressivos. Ou delirantes.


Mais triste que isso é que muitas dessas pessoas
poderão buscar ajuda na psicoterapia e cair num consultório cujo profissional
também a verá como isso ou aquilo, reforçando um rótulo já recebido. É como
perder a identidade pessoal e única e ser vista através do rótulo recebido pelo
diagnóstico.


Elisabeth Kübler-Ross, médica suíça, conta sua
experiência com as pessoas diagnosticadas como psicóticas, quando foi trabalhar
num hospital para doentes mentais:


O que eu sabia a
respeito de psiquiatria? Nada. Mas sabia sobre a vida e abri-me para a miséria,
a solidão e o medo que aqueles pacientes sentiam. Se queriam conversar comigo,
eu conversava. Se falavam sobre seus sentimentos, eu escutava e respondia. Eles
percebiam isso e, de repente, não se sentiam mais tão sozinhos e amedrontados.


Tenha o diagnóstico que tiver, não podemos, como
profissionais, jamais esquecer que ali está uma pessoa com sentimentos e
necessidades, com uma história de vida única e inigualável, que precisa ser
considerada sem o filtro do diagnóstico e merece, além de respeito, o nosso
interesse genuíno. Erramos vergonhosa e desumanamente quanto passamos a
perceber a pessoa através do diagnóstico. A pessoa sempre será mais importante
que o diagnóstico. O diagnóstico é só uma referência e não o contrário. É
preciso que revertamos a utilidade do diagnóstico a favor e em benefício da
pessoa.


Cada pessoa é única e é assim que devemos vê-la. E
nada é mais importante do que aquilo que ela tem para contar, dentro da sua
experiência e percepção. A nossa acolhida e aceitação poderá ser a facilitação
de que ela precisa para expressar seu valor intrínseco.




Medicação



Este é um assunto que quero esclarecer bem, para
não ser mal interpretada.


De princípio, quero deixar claro que entendo que a
medicação é uma bênção de Deus, manifestada através das descobertas
científicas, para o alívio dos sofrimentos humanos. Mas é preciso ficarmos de
olhos abertos para os possíveis abusos e interesses comerciais e econômicos.

Recentemente, li num dos jornais mais respeitados
no país um artigo alertando para o fato de muitos laboratórios exagerarem os
sintomas de algum mal-estar, classificando-o como doença, para que possam
vender cada vez mais seus medicamentos. Várias das pessoas que atendo têm saído
dos consultórios médicos com uma receita de antidepressivos. Algumas apenas se
queixaram de cansaço, outras estavam sensíveis (até em função da terapia),
chorando com mais freqüência, e logo foram diagnosticadas como depressivas,
necessitando de medicação. E, pasme, outras só queriam fazer uma dieta para
perder alguns quilos!

Como se descobriu que as drogas antidepressivas
diminuíam o apetite, passou a ser muito simples que alguns médicos prescrevam o
mesmo remédio para as pessoas comerem menos e emagrecerem! Quando observo essas
coisas, fica em mim uma desconfiança de que a reportagem do jornal esteja
coberta de razão. Ou seja, remédios são inventados, faz-se uma campanha para
que os consumidores acreditem que alguns dos seus sintomas são sinais de
prováveis doenças, e os médicos precisam receitá-los para que sejam consumidos.


Observe o que diz a reportagem:


Indústria
cria doença para vender cura


Onze estudos publicados em
revista médica afirmam que laboratórios exageram na incidência de distúrbios,
por Ian Sample.


Você está no sofá depois de um dia de trabalho e deveria relaxar. Em vez
disso, sente um desejo irresistível de sacudir as pernas. Enquanto isso, seus
filhos fazem uma algazarra na sala e, para completar, sua vida sexual está uma
porcaria. É apenas uma cena cotidiana na vida de muitas pessoas ou a combinação
de três condições médicas recém-identificadas que podem ser tratadas com uma
simples pílula?


A segunda hipótese é a correta, de acordo com 11 artigos publicados pelo
respeitável Public Library of Science
Medicine. Pesquisadores da Grã-Bretanha, Estados Unidos e outros países
argumentam que pessoas saudáveis estão sendo transformadas em pacientes por
companhias farmacêuticas. Elas divulgam problemas mentais e sexuais e promovem
condições médicas pouco conhecidas para, enfim, revelarem os medicamentos que,
dizem elas, podem tratá-los.


Algumas das maiores e mais lucrativas farmacêuticas do mundo
apresentaram uma série de novas drogas para tratar a “síndrome das pernas
inquietas”, o transtorno bipolar, o transtorno do déficit de atenção com
hiperatividade em crianças e a disfunção sexual feminina. Os estudiosos alertam
que novas doenças estão sendo definidas ou exageradas por especialistas muitas
vezes financiados pelos próprios laboratórios.


Os artigos acusam a indústria da venda de doenças - prática na qual se
infla o mercado de uma droga convencendo as pessoas de que elas estão doentes e
precisam de tratamento médico.


Segundo eles, campanhas publicitárias aumentam a venda de drogas dando
um enfoque médico a aspectos da vida normal (como a sexualidade), retratando
problemas moderados (a irritabilidade) como doenças graves e sugerindo que
condições comuns (como o impulso de mexer as pernas) sejam doentias...


“A promoção de doenças explora os mais profundos medos atávicos do
sofrimento e da morte”, diz a clínica-geral Iona Heath, do Caversham Practice,
em Londres, que contribuiu para a publicação. “É do interesse das farmacêuticas
expandir o âmbito do anormal, para que o mercado dos tratamentos seja
proporcionalmente ampliado.”


No editorial, Ray Moynihan e David Henry afirmam:



“Alianças informais entre corporações
farmacêuticas, empresas de relações públicas, grupos de médicos e defensores de
pacientes promovem essas idéias para o público e os responsáveis por decisões
políticas, muitas vezes usando a grande mídia para impor uma certa visão sobre
um problema de saúde específico”.


Virginia Moreira, doutora em psicologia e que fez
parte como pesquisadora do programa de pós-doutorado em Medicina Antropológica
da Universidade de Harvard, desenvolvendo um projeto de pesquisa
crítico-cultural sobre a depressão no mundo contemporâneo, descreve com
propriedade o enfoque exagerado no uso da medicação:


Não pretendo negar
aqui a existência de uma dimensão bioquímica na etiologia da depressão, nem o
valor das descobertas mais recentes no campo da psicofarmacologia, que
representam sem dúvida um avanço do conhecimento biomédico, que é necessário e
útil no combate ao sofrimento psíquico. Cabe, no entanto, denunciar o uso
comercial, irresponsável, indevido e exagerado de drogas que, mal
administradas, fazem mais mal que bem. Não se pode esquecer que no panorama
atual da abordagem e do tratamento das doenças mentais, o modelo biomédico
prevalece [...], atrelado a interesses econômicos de laboratórios
multinacionais. Trata-se o sintoma, deixando de lado a etiologia, o que, mais
uma vez, está relacionado à ideologia biomédica de cunho organicista e
individualista que, como lembra Silva [...], corresponde à instauração da
propriedade, característica fundamental da ordem socioeconômica capitalista.


A utilização do
remédio, prescrito para “consertar” as alterações da serotonina, tem a ver com
uma forma pós-moderna, onde se requer respostas e soluções imediatas para os
problemas. Morris [...] faz uma analogia entre o gosto público em voga por
consertos rápidos e curas instantâneas através de drogas e cirurgias, o que
ajuda a manter vigente o modelo biomédico, como o gosto pelo fast-food.
No entanto, a assim chamada revolução em psiquiatria, que entende a depressão
como uma alteração bioquímica, não é uma completa vitória para os pacientes. As
pílulas são mais fáceis e mais baratas que uma psicoterapia, por exemplo, e
muito mais simples ainda do que pensar em termos de saúde psicológica
comunitária, que exige medidas macrossociais preventivas; mas o tratamento e de
uma disfunção neuroquímica através de drogas apenas corrige um desequilíbrio
biológico, não explica como e porque este desequilíbrio ocorreu, nem previne
contra a sua recidiva.


Não é à toa que o
significado da depressão restrito a um distúrbio serotoninérgico seja bem-vindo
ao mundo contemporâneo que vive o imperialismo da sintomatologia. Esse significado
reforça uma ideologia em que nos vemos como feixes nervosos que reagem a
estímulos neuroquímicos, distanciando-nos da idéia de que somos, em vez disso,
seres que falam e agem segundo intenções moralmente dirigidas.






Ana Maria Sigal, psicóloga e palestrante que
participou de uma jornada sobre o tema “Sintoma”, se impressiona com a
hipermedicação em
crianças. Ela acha exagerado e prejudicial ao trabalho em
psicologia a prescrição de certas drogas antidepressivas:






O que nos assusta é o
número sempre crescente de educadores, médicos e psicanalistas que ficam
seduzidos pela suposta facilidade e felicidade proporcionadas pelos
medicamentos que tendem a indicá-los. Preocupa-nos ver a conivência, ingênua ou
nem tanto, com o uso de medicação que promete sucesso rápido na prática
clínica.


Em nosso meio, vemos
aumentar a complacência para com a medicação infantil, criando um exército de
dependentes químicos que não são denunciados por infringir as leis impostas
pela sociedade — esta, ao contrário, os induz a drogarem-se, para evitar o
descontentamento que os sintomas denunciam. As estatísticas mostram que nos
últimos quatro anos duplicou o número de crianças medicadas com Ritalina. Essa
substância estimulante evitaria a desatenção e a hipercinesia, sintomas que,
todavia, podem ser mais bem compreendidos à luz dos efeitos que uma sociedade
midiática produz, transformando a subjetividade e nela operando.


O corolário disso é
que se faz necessário pensar a própria realidade como produtora de patologias.






Para Sigal, os sintomas infantis, na maioria das
vezes, estão denunciando a ausência dos pais e das mães, imersos num sistema
que os engole. Segundo o relato de Sigal, os que pertencem a uma classe social
mais abastada entregam os filhos aos cuidados de babás, motoristas, enfermeiras
e outros profissionais; e os que são de classe social mais desfavorecidas
desamparam e descuidam dos filhos por causa da luta pela própria sobrevivência,
com subempregos ou, o que é ainda pior, desempregados. Por fim, Sigal faz um apelo:
“denunciar a hipermedicalização [sic] das crianças é um compromisso ético”.


Felizmente, nem todos os profissionais da medicina
entram nesse esquema capitalista de produção, manipulação e consumo. Muitos que
conheço praticam a medicina com seriedade, ética e respeito pela pessoa. Isso
significa que são profissionais que enxergam além das aparências; percebem o
que pode estar por trás de uma nova medicação e não estão interessados apenas
em eliminar os sintomas de algum mal, mas também em ajudar a pessoa a trabalhar
as causas de suas dores, explorando todas as possibilidades para que o
desconforto seja visto como realmente é. Em muitas ocorrências são sintomas
normais que se manifestam como reação saudável a determinados acontecimentos.
Outras vezes será necessária a solução das dificuldades em áreas da vida,
diferentes do corpo físico, para que o transtorno seja aliviado.


Desconfio também de que, para muitos profissionais,
é mais fácil a indicação medicamentosa para sedar e acalmar uma pessoa
deprimida do que um tratamento pessoal e diferenciado a cada pessoa que busca
ajuda. Elisabeth Kübler-Ross, médica suíça, quando trabalhava num hospital
psiquiátrico de Manhattan, ao ser interrogada por seus superiores sobre o
sucesso que os internados sob seus cuidados tinham, melhorando e recendo alta,
respondeu: “Não se pode enchê-los de remédios até ficarem apáticos e querer que
melhorem”.E
continuou a resposta, dizendo que não se referia aos internados como quase
todos os outros profissionais fazem: o doente da cama tal..., pois considerava
muito importante tratá-los como gente e sempre se referia a eles pelo nome. Ela
também tinha interesse em saber alguma coisa pessoal e conhecia os costumes de
cada pessoa que estava sob sua responsabilidade. Kübler-Ross terminou sua
resposta, dizendo: “E eles reagem muito bem a isso”.


A doutora Kübler-Ross, que trabalhou por trinta
anos com pessoas adoecidas em fase terminal, se tornou famosa pelo respeito que
teve por seus pacientes; ela sabia que a escuta atenciosa e o interesse pessoal
podem ter mais poder terapêutico do que muitos remédios.


James Glass, citado na biografia de John Forbes
Nash Jr. — um gênio mundialmente reconhecido e ganhador do prêmio Nobel de
Economia em 1994 —, depois que pesquisou sobre a passagem dele por Princeton,
justificando a liberdade lingüística recuperada por Nash, disse: “O fato de
ficar mais livre para se expressar, sem medo de que alguém o mandasse ficar
calado ou o entupisse de remédios, deve tê-lo ajudado a sair do seu isolamento
lingüístico hermético, para onde fizera uma retirada desastrosa”.Glass, em suas observações, notou que a liberdade e o respeito pela pessoa do
“doente” também tem um efeito curativo elevado.







Reconheço, porém, que muitas depressões podem ter
causas puramente fisiológicas, caso em que a prescrição de remédios, pelo
médico psiquiatra, é necessária e poderá ser de grande ajuda para a pessoa que
está em sofrimento.


As pesquisas científicas e as descobertas são
necessárias, e me alegra saber que uma pessoa não precisa suportar uma terrível
dor de cabeça ou uma cólica, sendo que existem tantos analgésicos que podem
ajudar numa situação assim. Todavia, a medicação tanto pode ser uma ajuda como
pode ser um estorvo. E o tratamento medicamentoso passa a atrapalhar quando elimina
todos os sintomas do mal-estar da pessoa, eliminando assim a possibilidade da
identificação de alguma provável causa para a depressão.


O ser humano tem limites diferentes para suportar
dores e sofrimentos. Alguns agüentam muito bem toda angústia de uma depressão,
mesmo sendo das severas. Outros são mais sensíveis e, mesmo tendo uma depressão
classificada como leve, precisam da ajuda medicamentosa.


Em psicoterapia, diferentemente da medicina, não
eliminamos todos os sintomas de algum sofrimento, pois é através desses
sintomas que a pessoa pode descobrir as situações que a fazem ingressar em
estados depressivos, ou até numa depressão considerada severa, e pode também
avaliar se há fatos que pertencem ao passado cujos sentimentos continuam vivos
na memória, de forma perceptível ou não.


Em minha opinião, o remédio só se faz necessário
quando a pessoa não consegue dar conta das tarefas de sua responsabilidade
cotidiana. É o caso de uma mãe não conseguir cuidar dos afazeres e das
responsabilidades para com os filhos, de um estudante que não consegue se
concentrar nos estudos e nas aulas, ou de alguém que não consegue trabalhar e
começa correr o risco até de perder o emprego. Ou então quando a pessoa não
consegue dormir e descansar, chegando à exaustão. Não há vantagem nenhuma em
estar estressado a ponto de fisicamente não ter condições de apresentar algum
rendimento. Mas, enquanto o indivíduo tem condições de levar sua vida dentro de
certa normalidade, dando conta das responsabilidades e obrigações, a medicação
não se faz necessária, sobretudo quando a pessoa não quer tomá-la. Sei que
algumas pessoas podem estar apáticas e sem condições interiores de perceber até
o que pode lhe fazer bem. Mas essas pessoas em geral não procuram ajuda por si
mesmas. Elas são trazidas ou orientadas por familiares e amigos que estão
próximos. Nessas situações, não resta dúvida de que o acolhimento, a empatia, a
compreensão e o terapêutico em psicoterapia também se fazem necessários à
consulta psiquiátrica.






Empatia

Empatia
é talvez uma das posturas mais difíceis de explicar teoricamente. Talvez por
isso existam muitas coisas escritas a respeito. Penso que também é uma postura
muito difícil de ser posta em prática. Clara Feldman,psicóloga e escritora, acha muito comum confundirmos empatia com
simpatia. No entanto, a empatia é uma qualidade imprescindível para o
profissional ou conselheiro na ajuda às pessoas que se encontram em depressão. Vamos
pensar num exemplo fictício. Uma jovem chega chorando e pedindo ajuda porque
seu namorado não quer mais continuar o namoro e ela está sofrendo muito com a
perda. A postura simpática diria o seguinte: “Calma, não chore. Isso passa.
Logo, logo você arruma outro. Você é tão bonita”. A postura empática tentaria
perceber todos os sentimentos aparentes e até os não aparentes que naquele
momento estão acentuados na jovem. A fala poderia ser assim: “Estou







vendo que você está muito triste e desesperada. É
como se nunca mais a vida tivesse sentido para você. Parece que o chão saiu
debaixo dos seus pés, não é?”. Na postura empática, não há ainda o interesse em
consolar e muito menos de solucionar a dor naquele momento.


Ter empatia é a capacidade que uma pessoa pode
desenvolver em fazer a conexão com os sentimentos de outra sem perder a própria
identidade, sem deixar de ser ela mesma, sem deixar-se afetar por sentimentos
que não são seus. É preciso, porém, estar consciente de que, por mais que se
tenha empatia, não se conseguirá experimentar a dor do outro em toda a sua
intensidade. No caso da nossa jovem, dar a ela uma resposta com identificação
seria assim: “Como ele pôde fazer isso com você? Depois de tanto tempo, dar o
fora em você dessa maneira? Isso é arrasador!”. Essa resposta indica que o
conselheiro, ou profissional, focou-se mais no possível ofensor do que na
pessoa que busca ajuda.


Carl Rogers, depois de vários anos praticando e
refletindo sobre o conceito e a prática da empatia, a definiu assim: “O estado
de empatia ou ser empático consiste em aperceber-se com precisão do quadro de
referências interno de outra pessoa, juntamente com os componentes emocionais e
os significados a ele pertencentes, como sê fôssemos a outra pessoa, sem perder
jamais a condição de ‘como se’ ”.


Quando se trata de ajudar as pessoas que estão com
depressão, empatia significa que consigo fazer uma conexão com a tristeza, com
a apatia e com outros sentimentos característicos da depressão, sem me deprimir
junto com a pessoa. Nessa atitude, a pessoa se sente compreendida e livre para
expressar todo e qualquer sentimento de que ela tem consciência. E em muitas
situações o simples fato de sentir-se aceita e compreendida já é o suficiente
para que o deprimido tenha algum estímulo que poderá dar a alavanca inicial
para seu fortalecimento e encorajamento necessários para a retomada da vida.


A ausência da empatia bloqueia a espontaneidade e
dificulta a liberdade para que a pessoa abra seu coração na íntegra e expresse
seu desconforto, atrasando, assim, o processo de melhora. Pior ainda é que
quando a pessoa não se sente compreendida e aceita. Em sua fragilidade, ela
terá a tendência de reforçar o discurso ou a postura de autocomiseração e a
imagem de vítima.


Na empatia, não há a tentativa de fazer a pessoa se
sentir melhor, ou de mudar a visão ou a compreensão dela. Quando se trata de
alguém em depressão, apenas se faz uma conexão com os sentimentos da pessoa,
tentando sentir como é estar no lugar dela, sentindo toda tristeza, desânimo,
medo ou qualquer outro sentimento que puder ser captado. Pode-se então
comunicar para a pessoa todo o desconforto dos sentimentos dela. Em geral,
quando isso acontece, o deprimido recebe encorajamento, percebe que pode contar
com a aceitação e a compreensão daquela pessoa. E muitas vezes nesse
acolhimento acontece o bloqueio do processo depressivo e o início para a
retomada da vida cotidiana novamente.






Ouvir







Ouvir
é uma das coisas mais difíceis de serem praticadas; todavia, é muito importante
no trabalho com a pessoa deprimida. Em geral, entendemos que não ter uma
resposta é constrangedor e de menor valor. O silêncio entre a fala






































de alguém e a resposta é angustiante para quem está presente. E o interlocutor procura logo um meio de preencher esse espaço silencioso com alguma fala, mesmo que não saiba como ou não tenha nada para responder.









Assim tiramos a oportunidade daquele que falou de ouvir a si mesmo.
E o pior é que é comum dar uma resposta que, em vez de facilitar, bloqueia a
continuação do diálogo.


Estamos mais preparados a dar receitas, fórmulas,
fazer citações bíblicas ou indicar algum livro de auto-ajuda a experimentar o
silêncio, que permite uma escuta melhor do que o outro quer falar. Rubem Alves
esclarece: “É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre dentro da
gente. Ouvir em
silêncio. Sem expulsá-lo por meio de argumentos e contra-razões.
Nada mais fatal contra o amor do que a resposta rápida”.


Mas não é só contra o amor que o não ouvir e a
resposta rápida são terrivelmente fatais. O é também para qualquer interação de
ajuda e para qualquer relacionamento, mas é especialmente perigoso contra as
pessoas em depressão. “Não há duas pessoas com o mesmo tipo de depressão. Como
flocos de neve, as depressões são sempre únicas, cada qual baseada nos mesmos
princípios essenciais, mas cada uma exibindo um formato irreproduzível e
complexo”, conclui, muito apropriadamente, Andrew Solomon. De
fato, não existem dois problemas nem duas depressões iguais, porque não existem
duas pessoas iguais. É possível encontrar pessoas que se identificam ou que
apresentam causas e sintomas parecidos. Mas uma escuta minuciosa revelará
diferenças profundas.


Rachel Remen, médica, ao se referir à capacidade de
ouvir de Carl Rogers durante os atendimentos, destaca:


Ouvir é o mais antigo
e talvez o mais poderoso instrumento de cura. Com freqüência, é pela qualidade
do modo como ouvimos e não pela sabedoria de nossas palavras que conseguimos
efetuar as mudanças mais profundas nas pessoas que nos cercam. Quando ouvimos,
oferecemos com nossa atenção uma oportunidade para a integridade. Nossa atenção
cria um santuário para as partes sem lar que existem dentro da outra pessoa. As
que foram negadas, desprezadas, desvalorizadas por ela mesma e pelos outros.
Nesta cultura, a alma e o coração com freqüência ficam sem lar. Ouvir cria um
silêncio sagrado.






O pior inimigo para uma boa escuta é a preocupação
com a resposta. Quando nos preocupamos com a resposta, haverá um desligamento,
um afastamento da pessoa e do que ela está dizendo. Quem quiser ouvir
verdadeiramente terá de se esvaziar de julgamentos, valores, conceitos, terá de
se livrar da crença de que precisa ter uma resposta, para concentrar toda sua
atenção na pessoa à frente. A comunicação dessa pessoa pode então penetrar no
espaço que se cria no interior do outro e nesse encontro pode acontecer alguma
resposta que semeie algo novo no coração do aflito.


A tarefa de ouvir não inclui apenas os ouvidos.
Quando se trata de uma pessoa entregue ao processo de depressão é necessário
ouvir também com os olhos e com o coração. É preciso ouvir o que a pessoa diz,
mas também ouvir o que a pessoa não diz. E há situações que se faz necessária
uma percepção apurada até para ver e ouvir o que a pessoa em sofrimento não
comunica. A pessoa em depressão muitas vezes, se torna silenciosa, ou porque
está extenuada e até o falar é cansativo, ou porque o desânimo é tal que
destrói todos os recursos para que ela possa expressar suas necessidades.


É claro que falo aqui não silêncio oco, vazio e
estéril. Nem do silêncio da omissão e da indiferença. Refiro-me ao silêncio de
alguém que está integrado e presente, transmitindo uma conexão viva.







Aceitação e acolhimento


Aceitar o deprimido significa ter recursos
emocionais e condições de dar acolhimento, de receber, em si mesmo, toda a
tristeza da pessoa, sem exigir que ela mude ou tenha outra conduta. Quando
somos capazes de aceitar o deprimido, teremos para com ele também uma postura e
palavras bondosas. Os familiares deveriam saber acolher e aceitar o parente
deprimido. Mas, infelizmente, na maioria dos casos é o contrário disso o que
acontece. Os familiares, mesmo os mais preparados, acabam se cansar e desistem
da pessoa. Mesmo quando estamos cansados, podemos dizer à pessoa deprimida que
naquele momento não temos condições, porque também estamos precisando de
descanso e sossego. É melhor sermos sinceros com os nossos limites do que
prestarmos qualquer ajuda ou serviço irritados, porque estaremos indo além do
que temos disposição para fazer.






Tirando
proveito da depressão


Estou
aqui, no topo de uma das montanhas da cidade de Campos do Jordão. Aproveitando
o fim do ano de 2006, tirei uns dias de férias dos atendimentos no consultório
para concluir este livro. Daqui de onde estou sentada, diante do meu computador
portátil, posso ver vários tons de verde e muitas flores; bem aqui, na minha
janela, há uma floreira de madeira com Impatiens
multicoloridas, e volta e meia aparece um beija-flor, dando um encanto para
este lugar que enche meu coração de êxtase.


Estar
em meio a tanto verde e belezas naturais, como é o caso aqui — ar puro,
silêncio, sossego, céu azul e limpíssimo, com a ausência total de poluição e
muito sol —, torna difícil acreditar que neste momento existem milhões de
pessoas que só enxergam um cinzento tenebroso em tudo ao seu redor,
simplesmente porque estão deprimidas. No entanto, sei, com certeza, que se eu
já não tivesse experimentado todo o peso da melancolia e da tristeza que
penetra até o fundo da alma, prostrando a mais valente das pessoas na face da
Terra, não perceberia a beleza esplêndida existente em cada detalhe da
natureza, no reino animal e na dinâmica humana. É o escuro da noite que prepara
o coração para receber o brilho do sol da manhã! A vida só é bela e venturosa
se a vivermos com toda a intensidade, se vivermos tanto o belo e prazeroso como
o feio e dolorido.


O
maior proveito que podemos tirar dos processos depressivos é este: quando
entramos e caminhamos em nossa noite escura, depois do vale tenebroso, sairemos
do outro lado; lá, seremos aquecidos com o calor de um sol acolhedor.


Sabendo
que a tristeza depressiva faz parte das reações às perdas no desenrolar da
vida...


...
que, quando ela aparece, em geral é um aviso de que a vida que tínhamos até o
momento precisa de transformação...


...
ou que precisamos nos adaptar à nova situação...


...
ou ainda que precisamos de alguém que nos dê mais cuidado e atenção...


...
sabendo ainda que todos nós a teremos um dia, em maior ou menor grau...


...
que os personagens bíblicos, que hoje temos como exemplo, passaram por crises
depressivas e depressões agudas...


...
que até Cristo se entristeceu profundamente, sentindo o gosto da morte na sua
tristeza...









...
que o penetrar no escuro tenebroso do mundo dolorido da depressão poderá
acrescentar riquezas e tesouros indescritíveis à nossa alma e vivência...


...
que chorar é um bom remédio para desatar nossos nós emocionais...


...
que é legítimo e permitido nos encolhermos, por um tempo, e ficarmos conosco
mesmos, assumindo diante dos amigos, parentes e família que estamos
entristecidos...


...
que, além da ajuda dos médicos e dos psicólogos, nas situações insuportáveis
podemos recorrer à medicação...


...
que existem pessoas que sabem nos ouvir empaticamente, acolher, compreender e
nos tocar com carinho quando estamos deprimidos...


...
que Deus não condena nem recrimina o entristecido, mas socorre e supre o
coração abatido e sem vigor...


...
sabendo de tudo isso, então, tenhamos a certeza de que somos normais e a
esperança de que o Pai cuidadoso muda “o [nosso] pranto em dança, a [nossa]
veste de lamento em veste de alegria”.





































Fonte:


http://xa.yimg.com/kq/groups/19348902/1619206391/name/Ester+Carreno+Depress%C3%A3o.doc







Nota : Na fonte acima está anotada toda bibliografia pequisada.

























































Depressão





o mal do século 21










"A depressão é um problema de saúde pública, e será o mal do século 21, juntamente com a síndrome do pânico", afirma Sílvia Ivancko, psicoterapeuta e psicóloga do Instituto de Cancerologia de São Paulo. Os números da depressão são mesmo alarmantes: embora não se tenha um cálculo exato, estima-se que cerca de 30% da população mundial sofra da doença, sem saber.




"O maior problema com a depressão é o desconhecimento. O indivíduo deprimido está doente, sofre muito, mas sua falta de interesse pela vida costuma ser vista como preguiça ou falta de caráter", explica Sílvia.




Quimicamente, a depressão é causada por um defeito nos neurotransmissores responsáveis pela produção de hormônios como a serotonina e endorfina, que nos dão a sensação de conforto, prazer e bem-estar. Quando há algum problema nesses neurotransmissores, a pessoa começa a apresentar sintomas como desânimo, tristeza, autoflagelação, perda do interesse sexual, falta de energia para atividades simples.




Em geral, em algum momento de suas vidas, uma em cada cinco pessoas experimentará pelo menos um episódio depressivo. Mas Sílvia Ivancko explica que, embora trate-se de um distúrbio químico, a depressão sempre tem, em sua raiz, algum motivo psicológico. Assim, seu tratamento inclui, necessariamente, a psicoterapia. "O remédio ajuda muito, mas ele não é eterno. Se a causa primeira não for tratada, a depressão voltará".










Cópia do site:




http://saude.terra.com.br/interna/0,,OI616654-EI1712,00.html


























A depressão na visão terapêutica.






















Depressão é uma palavra freqüentemente usada para descrever nossos sentimentos. Todos se sentem "para baixo" de vez em quando, ou de alto astral às vezes e tais sentimentos são normais. A depressão, enquanto evento psiquiátrico é algo bastante diferente: é uma doença como outra qualquer que exige tratamento. Muitas pessoas pensam estar ajudando um amigo deprimido ao incentivarem ou mesmo cobrarem tentativas de reagir, distrair-se, de se divertir para superar os sentimentos negativos. Os amigos que agem dessa forma fazem mais mal do que bem, são incompreensivos e talvez até egoístas. O amigo que realmente quer ajudar procura ouvir quem se sente deprimido e no máximo aconselhar ou procurar um profissional quando percebe que o amigo deprimido não está só triste. Os sintomas da depressão são muito variados, indo desde as sensações de tristeza, passando pelos pensamentos negativos até as alterações da sensação corporal como dores e enjôos. Contudo para se fazer o diagnóstico é necessário um grupo de sintomas centrais: Perda de energia ou interesse Humor deprimido Dificuldade de concentração Alterações do apetite e do sono Lentificação das atividades físicas e mentais sentimento de pesar ou fracasso Os sintomas corporais mais comuns são sensação de desconforto no batimento cardíaco, constipação, dores de cabeça, dificuldades digestivas.















Períodos de melhoria e piora são comuns, o que cria a falsa impressão de que se está melhorando sozinho quando durante alguns dias o paciente sente-se bem.










Os sintomas depressivos apesar de muito comuns são pouco detectados nos pacientes de atendimento em outras especialidades, o que permite o desenvolvimento e prolongamento desse problema comprometendo a qualidade de vida do indivíduo e sua recuperação. Anteriormente estudos associaram o fumo, a vida sedentária, obesidade, ao maior risco de doença cardíaca. Agora, pelas mesmas técnicas, associa-se sintoma depressivo com maior risco de desenvolver doenças cardíacas. A doença cardíaca mais envolvida com os sintomas depressivos é o infarto do miocárdio.




Também não se pode concluir apressadamente que depressão provoca infarto, não é assim. Nem todo obeso, fumante ou sedentário enfarta. Essas pessoas enfartam mais que as pessoas fora desse grupo, mas a incidência não é de 100%. Da mesma forma, a depressão aumenta o risco de infarto, mas numa parte dos pacientes. Está sendo investigado. A identificação da depressão Para afirmarmos que o paciente está deprimido temos que afirmar que ele sente-se triste a maior parte do dia quase todos os dias, não tem tanto prazer ou interesse pelas atividades que apreciava, não consegue ficar parado e pelo contrário movimenta-se mais lentamente que o habitual. Passa a ter sentimentos inapropriados de desesperança desprezando-se como pessoa e até mesmo se culpando pela doença ou pelo problema dos outros, sentindo-se um peso morto na família. Com isso, apesar de ser uma doença potencialmente fatal, surgem pensamentos de suicídio. Esse quadro deve durar pelo menos duas semanas para que possamos dizer que o paciente está deprimido.
















Causa da Depressão










A causa exata da depressão permanece desconhecida. A explicação mais provavelmente correta é o desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Esta afirmação baseia-se na comprovada eficácia dos antidepressivos. O fato de ser um desequilíbrio bioquímico não exclui tratamentos não farmacológicos. O uso continuado da palavra pode levar a pessoa a obter uma compensação bioquímica. Apesar disso nunca ter sido provado, o contrário também nunca foi. Eventos desencadeantes são muito estudados e de fato encontra-se relação entre certos acontecimentos estressantes na vida das pessoas e o início de um episódio depressivo. Contudo tais eventos não podem ser responsabilizados pela manutenção da depressão. Na prática a maioria das pessoas que sofre um revés se recupera com o tempo. Se os reveses da vida causassem depressão todas as pessoas a eles submetidos estariam deprimidas e não é isto o que se observa.
















Os eventos estressantes provavelmente disparam a depressão nas pessoas predispostas, vulneráveis. Exemplos de eventos estressantes são perda de pessoa querida, perda de emprego, mudança de habitação contra vontade, doença grave, pequenas contrariedades não são consideradas como eventos fortes o suficiente para desencadear depressão. O que torna as pessoas vulneráveis ainda é objeto de estudos. A influência genética como em toda medicina é muito estudada. Trabalhos recentes mostram que mais do que a influência genética, o ambiente durante a infância pode predispor mais as pessoas. O fator genético é fundamental uma vez que os gêmeos idênticos ficam mais deprimidos do que os gêmeos não idênticos. Depressão Típica A Depressão Típica se apresenta através de sintomas afetivos diretamente relacionados ao humor. Pode haver angústia, acompanhada ou não de ansiedade, tristeza, desânimo, apatia, desinteresse e irritabilidade. Não é obrigatória a presença de todos esses sintomas ao mesmo tempo.










Na esfera intelectual há uma certa preguiça do pensamento, tornando-o lento e trabalhoso. Há diminuição da memória, a qual pode falhar e confundir as coisas, dificuldade para resolver problemas antes considerados fáceis e tendência à pensamentos negativos ou pessimistas. Por causa desses pensamentos negativos surge insegurança e auto-estima diminuída. Fisicamente pode aparecer indisposição geral, apatia, sensação de peso ou pressão na cabeça, e zonzeira . Não é raro uma queixa de "bolo na garganta", como uma coisa que não sobe nem desce. É comum também impotência sexual ou frigidez, devido ao desinteresse ou mesmo a falta de energia para o sexo. Todo o organismo é prejudicado, podendo haver até maior tendência à infecções viróticas ou bacterianas (herpes, gripes, resfriados, etc). Depressão Atípica Como já dissemos, um grande número de casos de Depressão se apresenta de forma atípica, ou seja, sem que a pessoa se perceba deprimida e sem a grande maioria das queixas contidas na Depressão Típica.










Algumas pessoas acreditam ser obrigatório um motivo de vida (existencial) para aparecer a Depressão. Quando não detectam um motivo justo para sua Depressão, acabam achando impossível manifestar um sentimento depressivo. Pensam que se estivessem deprimidos sem motivos e apesar das coisas estarem bem, seriam considerados emocionalmente descontrolados. Nesse tipo de pacientes aparece a Depressão Atípica. Por uma questão biológica e natural, normalmente as emoções não obedecem cegamente a razão e, apesar de sabermos racionalmente não haver motivos suficientes para nossa Depressão, esta alteração afetiva acaba aparecendo mascaradamente e com sintomas diferentes da Depressão Típica. Tais sintomas não deixam de representar um sinal de alerta sobre uma eminente falência psíquica (ou esgotamento, como gostam de dizer)










" Depressão é um transtorno do humor, com baixa atividade física e mental, levando a sofrimento íntimo profundo, desesperança, falta de fé em Deus e em si próprio, conseqüentemente na vida."







Fatores desencadeantes da depressão










a) Distúrbios dos neurotransmissores: serotonina, dopamina, acetil-colina, dentre outros; b) Herança Genética; c)Pressão Social - Competição e Status Social. O Ter e não o Ser. d) Frustrações, Rejeições; e) Perda de bens materiais ou de emprego; f) Ressentimentos; g) Vícios; h) Decepções; i) Complexo de inferioridade; j) Baixa estima; k) Perdas precoces importantes (ex: a separação dos pais); l) Morte de um ente querido; m) Sentimento de culpa (herança da cultura judaica-cristã, é mais característico entre os ocidentais, que nos orientais); n) Fatores ligados a vidas passadas cristalizado no inconsciente; o) Núcleos de forças desequilibrados com energias externas densas e interferentes; dentre outros.










Características: O deprimido apresenta duas características básicas: O egoísmo e a agressividade. No egoísmo ele acha que a sua dor é a maior do mundo e a forma que essa dor é sentida termina por resultar em prazer, assim como, uma justificativa para a inação. Diante de tal apego ao estado que se encontra, nada nem ninguém poderá transformar esse quadro, se não houver por parte do deprimido a verdadeira vontade de querer sair do processo enfermico. A agressividade é voltada principalmente para si mesmo (auto-agressão), como também, para todos aqueles que de uma forma ou de outra, tentam mobilizar o deprimido a sair daquela situação cômoda de "pobre coitado", para a ação de superar a si mesmo.
















No fundo do poço
















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Principais sintomas:







a) Inibição psíquica com diminuição da atividade mental; b) Estreitamento do campo vivencial. Tendências ao isolamento, revelando-se incapaz de sentir prazer na companhia de pessoas, num quadro de completa desmotivação; c) Sentimento moral de auto-depreciação, auto-acusação, sentimento de inferioridade, de culpa, de rejeição, de fúria, de fraqueza, de incompetência, de baixa estima, de solidão, de pena de si mesmo, de desencanto, de fracasso, dentre outros sentimento que conduzem o Ser a se sentir um nada diante de si mesmo e diante do mundo. Tratamento: Para um tratamento eficaz, que enseje em reequilibro físico, psíquico, emocional, espiritual e para que possa ser percebida a causa, fonte originária do desequilíbrio, se faz necessária uma parceria com recursos internos e externos.


Recursos internos:


a) O auto-conhecimento; b) O amadurecimento emocional; c) O querer, pautado na verdadeira vontade; d) Superar culpas e ressentimentos; e) Perdoar-se; f) Trabalhar o desapego; g) Descobrir o verdadeiro significado do Amor e começar esse aprendizado amando a si mesmo; h) Espiritualizar-se. Aproximar-se de sua Fonte Divina; i) Meditar diariamente; j) Reformular o conceito sobre si mesmo; k) Acredite em você. Você é capaz.

Recursos externos:


a) Buscar a ajuda do profissional competente, para o tratamento devido (médico psiquiatra, psicólogos e terapeutas) conforme o grau da Depressão; b) Colocar-se receptivo ao tratamento médico, tomando a medicação se necessária, com a regularidade pedida pelo profissional (médico psiquiatra); c) Realizar atividade física; d) Doar-se em tarefas nobres, ainda que inicialmente não tragam necessariamente uma contra-prestação pecuniária; e) Buscar dedicar o tempo a atividades edificantes como boas leituras, por exemplo; f) Alimentar-se com qualidade, evitando alimentos intoxicados e animalizados; g) Reaprender a respirar, entrar em contato com a vida; h) Reaproximar-se, na medida que suportar, das pessoas; i) Buscar amizades novas, sinceras e verdadeiras, com base no que cada um é, e não, no que cada um tem; j) Lazer. Permita-se fazer algo que gosta e sinta prazer nisso; l) Realize trocas energéticas, essas podem ser feitas com a natureza (as árvores, a terra, a água); k) Dar o primeiro passo, ainda que pareça o mais difícil, e se amanhã precisar novamente, recomece.


O deprimido fica bastante sensível e se afeta por pouco, assim como, se torna vulnerável às impressões. É muito importante a presença da razão diante das analises a serem feitas sobre si mesmo e do mundo à sua volta. A depressão pode ser episódica, surgindo assim após um episódio, como endógena, ou seja, surge internamente, sem a necessidade de impulso de um fator externo; contudo, já havia uma pré-disposição por haver antes uma desarmonia ou desequilíbrio já instalado. Os bens materiais trazem uma felicidade transitória e incerta, assim como, o seu prazer, logo há a necessidade de serem substituídos por outros. Deve-se olhar a existência de forma mais ampla no seu real significado, para não cair no vazio, onde tudo é material e transitório. Deve-se estar sempre entusiasmados por um ideal maior para que a vida possa Ter um significado maior. Contudo, nada do que aqui foi colocado, transformará nenhum deprimido se dele, não partir a verdadeira vontade de querer sair desse padrão que o faz andar em círculos, para alçar o verdadeiro vôo.




Angela Loan Terapeuta Transpessoal






Depressão e o uso de medicamentos



"Depressão em um de seus aspectos, é a incapacidade de lidar com a dor. A química age diretamente neste ponto, proporcionando uma sensação de bem-estar e, assim, desviando a atenção do sofrimento. Os ISRSs são de extrema importância para tirar pessoas deprimidas da cama na hora de reagir, enfrentar e aceitar suas deficiências perfeitamente humanas. Proporcionam o prazer fácil, quase um soma. Um ecstasy, um deleite. Uma fina película protetora, tão fina quanto a duração de 48 horas do medicamento na bioquímica do ser humano. É inegável – e física – a sensação de bem-estar. Só que os antidepressivos agem em nome do controle. O pensamento convencional sobre “doenças” mentais e emocionais estigmatiza a depressão.




Certos cientistas julgam que ela impede as pessoas de se relacionar bem social e profissionalmente. Ignoram relações pessoais (isso inclui relacionar-se consigo mesmo) que estimulam transformações legítimas, duradouras e desvinculadas dos mercados. As prateleiras não ensinam a lidar com frustrações, aceitar erros e imperfeições, perdas, sofrimento, ansiedade e até mesmo descontrole. Por isso, milhares de pessoas se entopem diariamente de miligramas para ir para o trabalho e sorrir diante de qualquer adversidade. As pílulas da felicidade do mundo corporativo prometem devolver o prazer roubado pela depressão. Mas 70% dos pacientes que tomam este tipo de medicamento apresentam disfunções sexuais e baixa na libido. Sim, a queda da libido consta na lista de efeitos colaterais. É fácil abrir mão dela quando está em jogo salvar a própria vida.



Mas o que se faz para resgatar o desejo pela própria, a mesma vida?


Fica o questionamento no ar para que você pense e dê a sua própria resposta, afinal, ninguém pode fazer nada por ninguém!!



Cópias de trechos de textos de sites médicos na Net



Temas no arquivo.

Terapia não é luxo .
Por Soninha Francine
Foram duas conversas parecidas na mesma semana. A primeira, com uma moça no prédio onde moro. Sente dor nas costas há meses, em parte por estar muito acima do peso. Admitiu que come demais por ansiedade. Os médicos receitaram analgésicos e antiinflamatórios, fisioterapia, acupuntura. E terapia. “Ah, na terapia eu não vou! Fazer o que lá?” “Cuidar de você, oras. Com dor de dente, você vai ao dentista. Com sinusite, ao otorrino. A terapia ajuda a cuidar da angústia, ansiedade, insegurança.” Ela decidiu ir à consulta.No outro dia, no gabinete, o estagiário perguntou para uma assessora: “Por que você faz terapia?” Brincando, ela respondeu: “Porque eu sou louca”. Dali a dez minutos, ele perguntou, sério: “Você é louca mesmo?” A moça riu, ele ficou confuso. Contribuí com a discussão: “Ah, eu faço terapia. Eu também sou louca”. Rimos os três.As pessoas entendem “loucura” como algo divertido. Dizem que fulano “é louco” porque é esquentado, coleciona tampas de garrafa, não perde jogo de futebol nem no dia do seu casamento ou porque é muito engraçado. E o que entendem por terapia? Um tratamento para “loucos”. Já que “loucura” pode ser algo trivial, terapia vira sinônimo de luxo ou frescura. Ou é algo que se aplica aos loucos “de verdade” – nesse caso, terapia é para os casos graves, “não para minhas tristezas e aflições”.Eu passei por vários momentos de desespero na vida, mas, só no ano passado, senti que precisava de uma mão para desatar meus nós. Fiquei abismada de ver como alguém pode revelar tanto a meu respeito a partir de informações que eu mesma forneci – isto é, coisas que, em tese, eu já sabia!Não deveria ser tão espantoso. Muita coisa a nosso respeito só nos é revelada quando vemos nossa própria imagem no espelho. E a terapia ajuda a enxergar o que era impossível descortinar sozinha: os motivos mais profundos para a irritação e a tristeza, os padrões estabelecidos, as nossas reações “viciadas”.Nunca tive problemas para falar de minhas fraquezas. Sempre achei importante, por exemplo, falar de depressão. Quando tive a primeira, saber de pessoas que tinham superado uma me ajudou muito.Mesmo assim, fiquei encabulada em assumir que estava fazendo terapia. Minha agenda é acessada por várias pessoas e não tive coragem de escrever o que faria toda quinta de manhã. Anotei apenas “consulta médica”. Que boboca...Agora perdi a vergonha. Terapia não é “luxo” nem eu sou louca “de verdade”. Tenho minhas loucuras como quase todo mundo. Mas não preciso sucumbir aos desgostos da vida mais do que eles merecem. É certo ficar triste com algumas coisas. Não é certo não ser feliz nunca. Para dor de dente, dentista. Para dor da mente, terapia.
Postado por Coluna Diversidade - Nova Gazeta

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